MEDO

 em Amor, evolução espiritual

NICANOR

América Paoliello Marques

 

A Vida, tal como se apresenta, está constituída de as­pectos negativos e destruidores à primeira vista, porém, no cômputo geral, se soubermos observar, compreenderemos que a destruição aparente e até mesmo o caos obedecem a um sentido de reconstrução que precisamos valorizar.

Quem crê não teme. Antevê a vitória do Bem, mesmo quando o mal se mascara de vitorioso.

O princípio dialético da evolução precisa ser observado serenamente, com a certeza de que o Senhor preside a reno­vação de seus filhos. “Entretanto, direis, é necessário evitar maiores quedas, prever situações, planejar conduta renova­dora. A nós, parece que seria preferível evitar contágio de­masiado com o mal, para exaltarmos o Bem.”

Nós vos afirmamos que o Bem é a Luz e o mal a sombra projetada pelos homens quando atingidos pela solicitação do Grande Foco de Vida. Para valorizar o Bem, é preciso per­ceber, repetidamente, o contraste entre a Luz e a sombra. Podereis fugir ao ofuscamento gerado pelo impacto do Bem, mas, para permanecerdes comodamente sem o sofrimento causado pelos contrastes, certamente tereis as desvantagens de acomodar-vos na penumbra.

O receio de errar, às vezes, se transfere para o receio de agir. A alma consciente da supremacia do Bem não pode tolher seus passos para supervalorizar as expressões involu­tivas que se revelam em si ou a sua volta.

As batalhas entre o Bem e o mal, entre a sombra e a Luz não vos devem intimidar. Fazem parte do portentoso e sábio mecanismo da vida. Em estágios inferiores das suas expressões, a ‘Criação prevê a existência de reajustes suces­sivos e constantes, nos quais a estabilidade e a harmonia apresentam aspectos caóticos, porém, garantidores da conti­nuidade do processo evolutivo.

A harmonia, como ideal cristão, precisa ser encarada, não como situação estática de bem-aventurança. Ela representa a capacidade de não nos negarmos a nos apassivar ao Bem, que reformula constantemente suas expressões. Paga­mos, para obtê-la, o tributo de sermos valorosos, suportan­do as transformações necessárias à afinação aos graus su­cessivos de aprimoramento, nos quais a realidade espiritual se expressa, à proporção que nos tornamos capazes de per­cebê-la.

O medo revela ausência de confiança no processo reno­vador da Vida. É preciso crer, não por uma abdicação do direito de análise, mas, exatamente, por observarmos a rea­lidade espiritual, que se revela nas transformações sucessivas a que somos convocados para assegurar a continuidade do aprimoramento espiritual.

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