TRANSFORMAÇÃO E SUBLIMAÇÃO DO ESPÍRITO IMORTAL

 em auto-conhecimento, autotransformação, evolução espiritual

RAMA-SCHAIN / América Paoliello Marques

 

 Sublimar é transformar com amor. Não pressupõe vio­lência, nem mesmo em nome do bem, que só pode ser cons­truído na paz de uma consciência tranquila. O amor que regenera, tolera, muitas vezes, além daquilo que desejaria e por isso a alma que anseia por renovação precisa munir-se de uma dose de autocrítica benévola, capaz de transigir com as próprias imperfeições, mesmo quando o consciente escla­recido e vigilante sabe que seu proceder instintivo o leva por caminhos tortuosos.

Como poderíamos concluir sobre pro­blemas que não se explanassem à nossa vista? Como curar chagas que não se mostrassem? Longe de se julgar diminuí­da por ser o que é, deve a criatura viver sua própria condi­ção, em paz consigo mesma, na atitude serena de quem observa e corrige, mas nunca na posição drástica de quem reprime reprovando-se. Que seria de nós se não devêssemos procurar condescender e tolerar nossas próprias imperfei­ções? Automatismos milenares não se corrigem com o sim­ples conhecimento do Evangelho e sua adoção mental e afetiva. Muito louvamos o amor ao Bem, mas não podemos aprovar que alguém renegue o próprio ser.

Examinai o sentido real desse termo: ser. Exprime uma condição, um conjunto de características indestrutíveis, ine­rentes a cada qual. Aplicamos propositadamente a palavra indestrutível por significar que não é possível destruir coisa alguma, nem mesmo o mal, o erro, o engano. Ele não pode ser combatido com armas violentas, porque tem vida que lhe foi dada por nós e no Universo não existe destruição. Nem as sombras espessas dos milênios são capazes de des­truir nossos atos, pois continuam a viver nos registros astrais, vibrando em sintonia com a força que os criou. Se utilizarmos a energia universal que nos foi confiada, para um determinado fim contrário aos desígnios eternos, só nos livraremos de tais criações mentais transformando-as em outras, que possuam vibrações antagônicas. Porém, para isso é preciso que nos apossemos delas novamente e con­sigamos desviar-lhes a orientação primitiva.

A alma fica eternamente ligada a tudo que criou com a própria mente e, à proporção que o tempo passa, surgem as oportunidades de atrair e reajustar suas próprias obras. Por isso, à proporção que o ser recebe oportunidades de realizar num determinado ramo de atividades, sente que são atraídas a si as dificuldades por ele criadas no passado, naquele mesmo setor. Ao invés de considerar esse fato como obstá­culo ao progresso, deve admitir, feliz, que chegou o momen­to de utilizar a divina alquimia do amor evangélico, substi­tuindo, por atos acertados, os erros do passado.

O ser é aquele que é; portanto, temos que procurar entrar em contato íntimo com aquilo que somos. Nesse ato de humildade de nos reconhecermos, não vai uma permis­são para a continuidade do erro. Ao contrário, surge uma firme determinação de expandir-se continuadamente, sendo esse o verdadeiro aprendizado. Como educaríamos alguém proibindo-o de externar-se? O homem verdadeira­mente esclarecido não se condena a um estado de tensão no qual sua personalidade é impedida de vir à tona mas observa-se atentamente, dando ao próprio ser a largueza de ação suficiente para uma realização controlada: nem de rédeas presas, nem a galope desenfreado.

 

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