TIRADENTES E O BRASIL ESPIRITUAL

 em Brasil

Da obra Brasil Terra de Promissão (1969)

Ramatis /América Paoliello Marques

 

PERGUNTA — Quais os aspectos principais des­sa primeira fase de nosso desenvolvimento histórico?

RAMATIS — Como recém-nascido, o Brasil estivera em decúbito dorsal, assinalando por gestos desco­nexos a sua vitalidade latente… Em seguida, imprimin­do consciência aos próprios movimentos, colocou-se de bruços e levantou a cabeça para sorrir, identificando os pais.

Sentiu-os afáveis e amorosos e, incapaz de discernir sobre seus problemas dentro da comunidade humana, entregou-se confiante à orientação dos que primeiro lhe falaram ao coração…O mundo avançava e era necessário obter autonomia, mesmo que isso custasse o rompimento com a austera intransigência paterna.

O menino ainda não penetrara a adolescência e já clamava contra as imposições do regime retrógrado de seus responsáveis. Debatia-se, pois sua visão ultra­passava já o âmbito estreito da casa paterna. Porém, como sempre sucede em tais casos, por mais perfeita que seja a inconfidência, têm pouca envergadura os braços do pequenino para se livrarem dos pulsos fortes dos progenitores, que terminam por submetê-lo após toda grande tentativa de libertação.

Com a Inconfidência Mineira, conso­lidou-se o anseio que aguardaria a hora adequada para concretizar o sonho tão acariciado — a Indepen­dência.

 

PERGUNTA — Qual teria sido o destino do Bra­sil caso se realizassem os desejos dos Inconfidentes?

RAMATIS Tiradentes e seus companheiros foram precursores, no Brasil, de uma idéia que germi­nava espontaneamente em todo o planeta. Sua missão consistia em personificar um conjunto de idéias e defendê-las para que se desenvolvessem oportuna­mente. Nos anais da Espiritualidade jamais existiu exemplo de planejamento que incluísse movimentos armados e, como o Brasil vem sendo preparado para uma missão essencialmente pacífica, houve sempre o maior cuidado em preservá-lo das conquistas sanguinolentas. No momento em que os movimentos renova­dores descambam para o âmbito da violência, enfra­quecem, pois fogem à orientação que lhes foi impressa no Espaço.

Em sua retina espiritual, o “Mártir da Indepen­dência” sentiu essa distorção dos planos preestabelecidos e, como líder do projeto belicoso, tomou a si a responsabilidade declarada do movimento. Reconhe­cia em seus companheiros o idealismo que os teria tornado capazes de semear as idéias generosas, espe­rando que o tempo se incumbisse de desenvolvê-las e encerrou o capítulo frustrado daquela revolta, penitenciando-se por se ter negado a esperar.

Podemos aquilatar das conseqüências dessa li­bertação prematura se nos reportarmos às situações vividas pelos meninos que cedo se libertam de qual­quer tutela, entregando-se à vadiagem nas ruas. Só os excepcionalmente dotados são capazes de fugir às influências negativas e se tornarem homens de bem.

Em geral, o que sucede é a desagregação de toda conquista educacional semiconsolidada no verdor da segunda infância.

Por mais dignos de respeito e admiração, os In­confidentes, com uma independência precoce, teriam causado o desmembramento do território brasileiro, facilitando a dominação estrangeira e a fragmentação do povo que está destinado a manter-se coeso para uma missão de fraternidade no futuro.

 

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