RESISTE À TENTAÇÃO

 em Espiritualidade, Evangelho, Jesus, Reforma Íntima

 

Emmanuel /Chico Xavier

Da obra Pâo Nosso, Lição 101

 

        “Bem-aventurado o homem que sofre a tentação.”

 Tiago, 1:12

 

Enquanto nosso barco espiritual navega nas águas da inferioridade, não podemos aguardar isen­ção de ásperos conflitos interiores. Mormente na es­fera carnal, toda vez que empreendemos a melhoria da alma, utilizando os trabalhos e obstáculos do mun­do, devemos esperar a multiplicação das dificuldades que se nos deparam, em pleno caminho do conheci­mento iluminativo.

Contra o nosso anseio de claridade, temos milê­nios de sombra. Antepondo-se-nos à mais humilde aspiração de crescer no bem, vigoram os séculos em que nos comprazíamos no mal.

É por isto que, de permeio com as bênçãos do Alto, sobram na senda dos discípulos as tentações de todos os matizes.

Por vezes, o aprendiz acredita-se preparado a vencer os dragões da animalidade que lhe rondam as portas; todavia, quando menos espera, eis que as sugestões degradantes o espreitam de novo, compe­lindo-o a porfiada batalha.

Claro, portanto, que nem mesmo a sepultura nos exonera dos atritos com as trevas, cujas raízes se nos alastram na própria organização espiritual. Só a mor­te da imperfeição em nós livrar-nos-á delas.

Haja, pois, tolerância construtiva em derredor da caminhada humana, porque as insinuações malignas nos cercarão em toda parte, enquanto nos demora­mos na realização parcial do bem.

Somente alcançaremos libertação, quando atin­girmos plena luz.

Entendendo a transcendência do assunto, o após­tolo proclama bem-aventurado aquele “que sofre a tentação”. Impossível, por agora, qualquer referência ao triunfo absoluto, porque vivemos ainda muito dis­tantes da condição angélica; entretanto, bem-aven­turados seremos se bem sofremos esse gênero de lutas, controlando os impulsos do sentimento menos aprimorado e aperfeiçoando-o, pouco a pouco, àcusta do esforço próprio, a fim de que não nos entre­guemos inermes às sugestões inferiores que procuram converter-nos em vivos instrumentos do mal.

 

 

 

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