RELIGIÃO E VIDA

 em Centelha Divina, evolução espiritual

América Paoliello Marques

Rio, Agosto/1969

Religião e Vida (1) foi um tema trazido a nós por Akenaton. O sentido de seus ensinamentos é de tal profundidade que nos parece difícil expressá-los e muito mais ainda condensá-los num pequeno artigo como este. No entanto, dentro da profundidade existe a simplicidade das coisas grandiosas e que identificaremos se soubermos sentir que as palavras são incapazes de expressar integralmente a realidade que procuramos descrever, quando nos referimos às verdades eternas.

Neste estudo a alma é comparada a uma Centelha de Vida deslocada da Força Central da Vida. Em sua caminhada para Deus cresce em graus de conscientização, obtidos através do conhecimento da Lei e de sua vivência gradativa.

Inicia esse processo pela polarização em relação às outras centelhas no mesmo plano, pelo religamento consciente com a fonte de todo suprimento, num processo auto compensador de ação a que podemos chamar virtude natural.

Onde se processa essa transformação? No núcleo da consciência eterna, pois o seu centro, que é a centelha de vida, passa a expandir suas potencialidades latentes, por ter alcançado o mecanismo de religamento consciente e gradativo à Fonte.

Como entender esta modificação? Para atingi-la, renovações sucessivas serão necessárias. Elas serão iniciadas a partir do momento em que o amor Crístico se instalar no setor consciente da esfera da consciência. Cada experiência nova, como repetição de lições vividas em encarnações pregressas, provocará emersões de forças arquivadas no subconsciente. Trazidas ao contato do amor conscientemente vibrado, elas se enriquecerão, se forem positivas, e se neutralizarão nos aspectos negativos. Rearquivadas, estão renovadas em suas características. Entretanto, é preciso frisar que não se trata de reformular comportamentos conscientes, mas automatismos subconscientes, e que só uma repetição prolongada de experiências, proporcional à força do hábito adquirido, terá possibilidade de realmente reformular as forças instintivas.

Daí a necessidade da fé baseada na compreensão das vidas pregressas e sucessivas. Para lançar ao futuro a esperança da renovação, solidamente buscada no presente cheio de compreensão iluminada pelo Amor Evangélico.

A vitória do amor “que cobre a multidão dos pecados” se dará quando uma emersão completa se efetuar, com a duração de muitas encarnações. O arquivo negativo, então, terá sido desvitalizado, numa revisão subconsciencial completa e o religamento da Centelha de vida à Força que a gerou será efetuado de modo definitivo e consciente.

Para que seja estimulado este processo, a Religião precisa ser Vida, desligado dos condicionamentos antropomórficos que até hoje obscureceram a visão espiritual do homem. Deus precisa ser concebido como a Força Central da Vida, destituído dos atributos humanos que lhe emprestava a evolução religiosa ainda em seus primeiros degraus. Humildade precisa ser sinônimo de ajustamento à Lei, na auto afirmação do “vós sois deuses” combinada à visão da “trave no olho”. A prece, uma correção de sintonia, mobilizadora da força interior que amplia a consciência em direção aos recursos do superconsciente e não um meio de obtenção de favores.

Precisamos, finalmente, crescer na aplicação do Amor nos planos físico, emocional e mental. Equilibradamente obter, na média entre as expressões da caridade material, emocional e mental, a integração da Centelha de Vida ao processo consciente do religamento, a que chamaremos Religião e que é atingido interiormente, estimulado pelo impulso das religiões, que favorecem o surgimento daquela renovação interior capaz de conduzir o espírito ao descobrimento de sua condição de eternidade. Aceita esta, a Religião se transforma em Vida e mais uma Centelha passará a brilhar em todo o seu esplendor junto à Força Criadora da Vida.

 

(1) Capítulo 18 do livro “Evangelho, Psicologia e Ioga”, contém texto amplo de uma palestra sobre o tema, que inspirou este seu artigo.

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