HUMILDADE

 em Humildade

Nicanor / América Paoliello Marques

 

Analisando a humildade como sinônimo que é de ajustamento e maturidade, chegamos à conclusão de ser ela formada por dois elementos: capacidade de auto-afirmação e reconhecimento da própria pequenez.

Por ser constituída de dois fatores aparentemente tão contraditórios, compreende-se a dificuldade sentida na sua procura por muitas almas bem intencionadas.

Quem sente a realidade da vida e deseja ajustar-se a ela, projeta-se em realizações ostensivas na afirmação do próprio “eu”. Sente a força que impele sua evolução e inebria-se diante das próprias possibilidades. São as almas ativas, que muitas vezes pecam pelo excesso de auto-afirmação.

Existem, simultaneamente, as que sentiram o contraste entre a grandiosidade da vida e a situação apagada da própria individualidade e, mergulhadas na noção de suas limitações, negam-se o direito de auto-afirmação.

Entre essas duas atitudes, encontra-se a real humildade. Para conciliar aqueles dois elementos formadores da sublime virtude é preciso recorrer a um fator comum que os reúna numa única solução o que será, justamente, o reconhecimento dos valores eternos.

Isso, porém, não significa que os homens afastados dos ambientes religiosos estejam impossibilitados de adquiri-Ia. Os valores eternos não são propriedade de quem os admite e estuda simultaneamente. São assimilados por quem os pressente, seja qual for sua situação externa. Existem, muitas vezes, nas almas aparentemente leigas, que já os trazem como valores adquiridos em existências anteriores.

O homem ajustado é humilde, pois é capaz de se conduzir com simplicidade, porque se afirma dentro dos valores eternos, diante dos quais é possível sentir-se pequeno, sem no entanto se anular.

Observando o Universo, a alma é arrebatada pelo sentimento grandioso de constituir uma partícula humílima da Criação com alegria, identifica a felicidade de ser pequena, como parte infinitesimal da Obra do Eterno. Quanto mais se afina com a beleza da Vida, mais prazer encontra em ser humilde, por sentir-se ajustado a uma realidade grandiosa.

 

 

 

 

Fonte: TRANSMUTAÇÃO DE SENTIMENTOS – Amor-Ciência como Caminho (2018)

 

 

 

 

 

 

 

Postagens Recentes

Deixe um Comentário