A LÍNGUA

 em Evangelho, Reforma Íntima

 

Emmanuel /Chico Xavier

 da obra Pão Nosso, Cap. 170

        “A língua também é um fogo.” Tiago, 3:6

 

A desídia das criaturas justifica as amargas con­siderações de Tiago, em sua epístola aos compa­nheiros.

O início de todas as hecatombes no Planeta lo­caliza-se, quase sempre, no mau uso da língua.

Ela está posta, entre os membros, qual leme de embarcação poderosa, segundo lembra o grande apóstolo de Jerusalém.

Em sua potencialidade, permanecem sagrados recursos de criar, tanto quanto o leme de proporções reduzidas foi instalado para conduzir.

A língua detém a centelha divina do verbo, mas o homem, de modo geral, costuma desviá-la de sua função edificante, situando-a no pântano de cogi­tações subalternas e, por isto mesmo, vemo-la à frente de quase todos os desvarios da humanidade sofre­dora, cristalizada em propósitos mesquinhos, à mín­gua de humildade e amor.

Nasce a guerra da linguagem dos interesses criminosos, insatisfeitos. As grandes tragédias sociais se originam, em muitas ocasiões, da conversação dos sentimentos inferiores.

Poucas vezes a língua do homem há consolado e edificado os seus irmãos; reconheçamos, porém, que a sua disposição é sempre ativa para excitar, disputar, deprimir, enxovalhar, acusar e ferir desa­piedadamente.

O discípulo sincero encontra nos apontamentos de Tiago uma tese brilhante para todas as suas experiências. E, quando chegue a noite de cada dia, é justo interrogue a si mesmo: — “Terei hoje utilizado a minha língua, como Jesus utilizou a dele?”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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