AS SETE VIRTUDES E A CENTELHA DIVINA

 em Centelha Divina, Virtudes

RAMATIS /América Paoliello Marques*

 

Façamos uma comparação entre as forças magnéticas que regem os sistemas planetários e as forças que estabelecem o ajustamento íntimo de cada espírito.

Existem no Universo sistemas constituídos por planetas a girar em torno de seus respectivos sóis. Esses sistemas formaram-se pelo deslocamento de massas provindas do centro de cada qual, que continuam imanadas à que lhes deu origem, dela recebendo energias vitais estimuladoras do progresso. Simultaneamente, esses corpos celestes exercem influência recíproca e forma-se, assim, entre eles, uma corrente magnética em constante fluxo e evolução. De orbes inóspitos passam os planetas a mundos primitivos, a locais de expiação e provas e, finalmente, a mundos regenera dores e progressistas, numa escala infinita de ascensão. O centro do sistema que é o Sol recebe da Força Central da Vida a energia vital que distribui, tanto mais perfeitamente quanto mais se aprimoram as emanações magnéticas de cada um de seus planetas.

Com os indivíduos sucede algo semelhante. Possuem uma Centelha de Vida a funcionar como o centro do sistema espiritual que constituem. Dessa Centelha, que recebe a energia magnética da Força Central da Vida ou Deus, desprendem-se as “formações planetárias” representadas pelas virtudes, as quais, por sua vez, evoluem do estado primitivo ao apogeu de um desenvolvimento completo. São elas a Humildade, a Confiança, a Alegria, a Coragem, a Serenidade, a Persistência e a Renúncia. Recebendo, através da Centelha de Vida, a força vital, elas se aprimoram, influenciando-se mutuamente.

Com o correr do tempo, a energia criadora é expandida, cada vez com maior intensidade, pela Centelha de Vida, que irradia constantemente a sua volta, estimulando o processo de harmonização magnética do conjunto. São intensificadas as trocas de energia dentro do “sistema individual” e as virtudes, como planetas a girar em torno da Centelha de Vida, desenvolvem-se em um grau crescente de perfeição, como sete orbes a se influenciarem profundamente. A semelhança das cores do espectro solar, as virtudes reunidas formarão a “luz branca” do Amor, tanto mais intensa quanto mais se fortaleçam seus elementos componentes.

No desenrolar do processo de harmonização magnética da alma, é preciso atentar inicialmente para a necessidade básica do ser humano que é a Humildade, capaz de proporcionar renovação diante das situações mais rudes da vida. Surgirá, então, a Confiança em si pela capacidade de ajustamento, e em Deus pelo reconhecimento de Sua sabedoria. Em seguida virá a Alegria de viver nas bases dessa Confiança e será fácil renovar a Coragem quando exista alegria espiritual. A Coragem, por sua vez, garantirá a Persistência na conquista dos valores eternos e o ser granjeará, desse modo, a virtude da Serenidade. Por sua vez, a impassibilidade na luta poderá proporcionar-lhe a têmpera necessária a exercitar a Renúncia, coroamento de todas as outras conquistas, tornando o indivíduo apto a colaborar na obra da Criação, sem consulta aos interesses individualistas.

Assim prossegue o trabalho de conquistar a harmonização magnética do sistema individual, intensificada à proporção que, pelo aprimoramento constante, os planetas – as virtudes – evoluírem tornando-se capazes de dar vazão, de forma mais aperfeiçoada, à energia magnética do Amor Universal.

Quando as trocas internas do sistema atingem um nível de harmonia mais completa, o conjunto torna-se capaz de receber e transmitir, em maior grau de pureza, a energia criadora que lhe é irradiada da Divindade, da Usina Universal. Então diz-se que o espírito atingiu a plenitude de suas possibilidades, aquele estado designado pela expressão “Eu Sou“.

 

*Fonte: Capítulo 2 do livro “Evangelho, Psicologia e Ioga” (1995)

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Comentários
  • ROSEMARIE GIUDILLI
    Responder

    Adorei o texto!

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