ILUMINAÇÃO    

 em auto-conhecimento, autotransformação

NICANOR

América Paoliello Marques

Fonte: “A Rosa e o Espinho”

(3ª Parte Capítulo 4)

 

 A iluminação com Jesus se faz de forma gradativa e, muitas vezes, imperceptível.

Representa um processo de autorrenovação que se afir­ma com a mesma suavidade que a Natureza emprega para introduzir a aurora no cenário da Terra.

Quem desperta antes do amanhecer e inicia suas tarefas com interesse, surpreende-se ao notar que o dia já clareou, pois não houve um clarear repentino. Muito suavemente as trevas foram substituídas pela luz.

Assim acontece com o homem empenhado em servir ao próximo por amor aos ideais crísticos. Dedicado ao trabalho do bem, não vê o tempo passar e a um certo momento de sua evolução sente-se cercado pela claridade que cultivou carinhosamente no coração e que nele cresceu sem ser per­cebida, dia após dia.

Ocupado em servir, não teve tempo para observar certos detalhes do que se processava em seu campo áurico. Empe­nhado em amar o bem, sobram-lhe poucos lazeres para se examinar, a não ser na severa vigilância da disciplina inte­rior com vista ao trabalho. Porém, algo de novo lhe sucede. Repentinamente, passa a notar, nos outros, reflexos genero­sos de uma luz que lhe é atribuída. Como os seres, de modo geral, não distinguem o instrumento e a Fonte, retrai-se e nega-se a reconhecer a parcela de luz que lhe atribuem. Em­penha-se em esclarecer que a luz não é sua — desce sobre todos vinda do Alto.

Porém, não pode ignorar um fato — ela desce sobre todos, mas nem todos permitem que ela se filtre através de si.

A impregnação da luz só se produz nos seres que se tor­nam permeáveis e para tanto é preciso sofrer um processo de refinamento capaz de afastar os elementos impermeabilizan­tes representados nas imperfeições mais grosseiras da natu­reza humana.

A dor, o trabalho, a dedicação, abrem as comportas da alma para a passagem da luz; a coragem de sofrer a hosti­lidade do meio, o estoicismo de ser alvo das trevas represen­tadas na cegueira dos interesses pequeninos dos homens in­voluídos. Por mais que tente se recolher para usufruir a paz que as novas luzes lhe podem proporcionar, o discípulo ilu­minado pelo Amor do Cristo tornou-se tocha viva e sua cla­ridade ofusca, perturba e agride de certo modo o poder biso­nho das trevas.

Poderá ele recolher-se após haver sido impregnado pela luz que tanto buscou? Será o momento de fechar-se sobre si e enfim usufruir a bem-aventurança?

Almas sedentas o buscarão como fonte da água viva. O Senhor não acende uma tocha para servir de ornamento à sua Obra. O Sol aquece e revigora, ao mesmo tempo que embeleza a vida.

O ser iluminado pelo Amor já não se pertence, pertence à Vida com a qual conscientemente já se identificou, como o recruta que se alista voluntariamente nas fileiras da defesa da Pátria Espiritual.

Seus riscos, seus sonhos, seu provimento já não lhe per­tencem. Integrou-se ao grande fluxo da paz que representa luta nos planos involuídos. É um soldado da grande falange do Amor Universal. Sua linguagem soará estranha, sua fi­gura, exótica e enigmática para os seus irmãos.

Poderão mesmo admirá-lo, mas ainda não conseguirão cerrar fileiras em torno dele. Pararão a uma certa distância para meditar na irradiação poderosa que dele emana, mas que ainda não conseguem incorporar.

Fiel a si mesmo, ele caminhará só. A bússola estará no seu íntimo a lhe mostrar a direção do Alto. Haverá quem o siga? Não sabe nem pode se deter em tais cogitações. Serão mal interpretados os seus atos, mesmo pelos mais amados? Deverá abster-se de conjeturar. Precisará, então, tornar-se indiferente? Não lhe sobrará tempo nem energias para este tipo de pesquisa se desejar cumprir integralmente a progra­mação de amar aos desafetos e servi-los, identificando neles emanações do Senhor em sua própria vida.

O Amor aos opositores absorverá agora suas melhores energias. Recebeu a luz, deve distribuí-la. E como escolher a quem endereçá-la, se ela é propriedade do Eterno?

Ser amado significará acréscimo de bênçãos. Porém, ser­vir, será o objetivo maior, pois já terá conseguido perceber, na doação, a melhor forma de integrar-se voluntária e cons­cientemente com a Fonte de todos os bens.

A paz lhe virá e o penetrará através de todas as lutas —nele o paradoxo se desfaz — o Amor é capaz de fazê-lo feliz, mesmo nas maiores incompreensões sofridas.

Jesus foi recebido pela sua alma — fala-lhe e é enten­dido — eis o discípulo fiel.

“O meu reino não é deste mundo”.

 

 

 

Nota: ESTUDO deste texto no Grupo Reflexões América Paoliello Marques (GR_APM) de 18/10/2026, domingo, 08:30. Mais informações : https://www.instagram.com/america.p.marques/

 

Postagens Recentes

Deixe um Comentário