CONFLITOS

 em auto-conhecimento, autotransformação

Espírito NICANOR       Médium América Paoliello Marques

 “A Rosa e o Espinho” (Parte 1, Capítulo II)

 Tema da reunião GR_APM* -1/4/2026

  A paz é o supremo anseio da alma. No entanto, as veredas que conduzem a ela costumam permanecer camufladas sob os escombros dos castelos dourados de sonhos inacessíveis. A imaginação humana reveste a realidade espiritual, representada pela paz, com o manto ilusório das conquistas terrenas. Por esta razão ela, a paz tão procurada, geralmente, é atingida após desilusões profundas, nas quais o homem se liberta de suas incompreensões em relação ao mecanismo superior da Vida.

  Nesse sentido foi que o Mestre ‘afirmou: — “Não vim trazer a paz, mas a espada.” E é nesse sentido que vos exortamos a não esmorecer quando as experiências dolorosas vos visitarem o templo da alma.

3   Não são corajosos, mas sim, inconscientes da realidade espiritual, aqueles que descarregam seus fardos antes de levá-los ao destino adequado. Quebrou-se uma imensidade de “tabus” em vossa era privilegiada pelo domínio da razão. Aliviou-se o peso desnecessário de inúmeras imposições descabidas, que o meio impunha ao homem na Terra. Porém, é preciso observar atentamente. O rompimento com os preconceitos sufocantes de outras épocas não vos exime dos compromissos reais abraçados, com relação ao aprimoramento do espírito. Os preconceitos irracionais geravam cadeias de incompreensões pela imposição antifraterna das convenções. Hoje essas cadeias podem ser geradas, com frequência lamentável, pelo rompimento prematuro de compromissos selados na Espiritualidade.

4   Somos amigos empenhados no intercâmbio diário com os problemas humanos. Observamos almas que sangram após o rompimento de suas ligações cármicas. No entanto, sua dor não lhes está proporcionando a vitória almejada. Sofrem a decepção do adiamento de conquistas árduas, porém, proveitosas, que deveriam estar em processo de consolidação. Agem como animais de carga que sacudissem o peso a transportar, saindo pelas campinas em liberdade, para serem reconduzidos ao leito da estrada, com retardamento, para reiniciar a jornada.

5   A situação conflitiva precisa ser observada sob o seu aspecto real. Quando interrompeis uma experiência desse teor, ou iniciou um ciclo de recapitulações penosas, proporcionais aos antigos agravos cometidos pela simples interrupção de uma revisão necessária, impensadamente, sobrecarregais vossos débitos passados com novos débitos, agravadores dos problemas já existentes.

6   A verdadeira paz provém da liberdade, sim, mas da liberdade interior de ir e vir nos mais recônditos escaninhos da alma, sem ouvir o eco das lamentações provenientes de experiências fracassadas. O turbilhão das emoções proporcionadas pela vivência externa não tem recursos para silenciar as notas desarmônicas das decepções espirituais. Os únicos compromissos que libertam em vez de escravizar são as algemas que fechamos entre nosso espírito e o dever, que, em última análise, é a primeira expressão do Amor na alma que inicia sua autorrenovação diante da Espiritualidade, que lhe pertence por herança e direito.

7   Quando vos sentirdes como no deserto árido da incompreensão humana, caminhai mais um pouco e, com atenção, buscai sentir onde cavar o poço de uma pesquisa profunda de recursos interiores, que adormecem em todos os espíritos. Infelizmente, a maioria das criaturas, em tais circunstâncias, busca no exterior o auxílio, talvez por uma fuga instintiva à voz da consciência que sabe o que é mais conveniente. Num impulso de distanciar-se da “fonte” interior que traz à tona a água pura do entendimento claro em relação às provações necessárias, fogem para intérminas pesquisas externas de uma felicidade cujo preço justo é a autorrecuperação para os princípios do Amor espiritual puro. Porque ele representa disciplina e dedicação incondicionais ao Bem, gera-se o círculo vicioso de quem prefere seguir as miragens que surgem à superfície do deserto da provação, a deter-se para sondar o veio d’água que lhe está sob os pés. E nenhum amigo, nenhum psicólogo, nem qualquer recurso a passeios, a atividades externas terá o efeito salutar proporcionado pela atitude de renúncia às predileções pessoais pelo bem do próximo.

8   Antes, em eras recuadas do entendimento humano, recorria-se à “Vontade de Deus” e à obediência necessária para escapar aos “castigos”. Hoje, pode-se apelar para uma compreensão melhor dos fatos. Espera-se somente que os homens sejam capazes de aceitar o desafio da Vida superior, abrindo mão de um bem-estar temporário e imediato, freqüentemente insatisfatório, em benefício de conquistas interiores de sua maioridade espiritual, que os fará capazes de amar mesmo a quem não seja capaz de retribuir na forma imediata que é esperada pelos seres imaturos, incapazes de colher os frutos altos da Vinha do Senhor.

  Irmãos, penetrai sem temor os subterrâneos de vossa alma. Se lá encontrardes os monstros dos conflitos, ficai certos de que, de nenhum modo, estareis privados do “veio d’água” representado pela consciência espiritual que revela em cada ser a Força geradora de todo o Bem. Encontrada a Fonte, estará garantindo o suprimento para vós e para quem de vós se acercar.

 

*Grupo Reflexões América Paoliello Marques

Postagens Recentes

Deixe um Comentário