A ARTE DE AMAR 

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RAMA-SCHAIN / América Paoliello Marques

Da obra Evangelho, Psicologia e Ioga, Capítulo V

 A ARTE DE AMAR 

(cristianização)

 

 Preâmbulo

Existe no Universo uma coordenação de forças básicas que orientam o mecanismo de seu funcionamento. É um deslumbramento a harmonia que vibra em toda a Criação! Podemos classificar essas forças como energias de coesão, que mantêm imantados entre si os elementos formadores do grande conjunto universal. Nenhuma vibração negativa, nenhum impulso contrário pode neutralizar os efeitos desse equilíbrio de sustentação e mesmo os fenômenos que parecem contrariá-la estão incluídos no mecanismo de compensação, característico do processo evolutivo estabelecido como a “Lei”.

Entretanto, é justamente para as oscilações previstas dentro da Lei que se volta com interesse nossa atenção neste estudo.

Por ser completa e perfeita em suas disposições, ela concebe um processo prático de pôr-se em execução.

Para iniciar a compreensão desse mecanismo, é preciso estabelecermos firme conceito do que seja a Lei. Pelo que já estudamos, é ela o elemento vinculador de toda a Criação, estabelecendo o provimento e a sustentação da Harmonia. É, pois, o manto da Misericórdia e do Amor que provê as necessidades universais, ou seja, “cobre a multidão de nossos pecados”. Concluímos, pois, que é a Lei do Amor.

Ao mergulhar nosso espírito no conhecimento dessa Lei (iniciação), principiamos por identificar a parte que nos é mais familiar em seu funcionamento – a exatidão. E entusiasmamo-nos com a perfeição de seus atributos de clareza, inteligência e previsão. Admiramos o processo pelo qual o Senhor construiu a maravilhosa “escada de Jacó”, proporcionando a seus filhos a possibilidade de elevação. Porém, nossa mente se apercebe mais facilmente do mecanismo geral de tal processo de elevação do que das nuances delicadas de seu desenvolvimento, que funcionam como válvulas de escapamento para as “energias queimadas” no grande esforço de ascensão.

Realmente, há necessidade de identificar esse mecanismo para podermos ingressar conscientemente nele, mas só o nosso próprio esforço permitirá que identifiquemos os processos de adaptação gradativa que se impõem a cada degrau conquistado.

E eis que nossa alma se inebria pela segunda vez, quando, após sentirmos a beleza da iniciação, dos sucessivos degraus da “escada de Jacó”, identificamos o Amor Crístico, que renova a essência espiritual a cada novo grau alcançado pela alma.

No esforço evolutivo não há erro ou engano que não seja desfeito através da fidelidade ao ideal de aprimoramento, exatamente como não há cansaço ou constrangimento que não se desfaça, quando o ser despendeu toda a sua energia no ato de colocar-se num degrau acima, pois a própria satisfação da conquista encarregar-se-á de recompor a harmonia. Portanto, a alma que se eleva alcança a renovação de energias, porém isso só pode ser comprovado através da experiência própria e eis o motivo pelo qual se diz que “muito será pedido a quem muito recebeu”, pois o encorajamento se renova à proporção que a realidade do amparo divino se evidencia em nós, como resultado de nosso esforço consciente.

Admiram-se muitas criaturas de que os “pecadores” sejam auxiliados. Isso, além de demonstrar uma visão acanhada, revela a ignorância dos detalhes da aplicação da “Lei”. Quando uma alma consegue absorver o amparo que lhe é proporcionado, abre campo à realização verdadeira e, portanto, caminha para o reajustamento de suas atitudes, não sendo mais “ativamente” pecadora e só isso importa para que se integre na corrente de harmonia.

Por conseguinte, podemos admitir plenamente a possibilidade de estarmos a um tempo “certos” e “errados”, isto é, “certos” em nossa pureza de intenções e atividades dela conseqüentes e “errados” em nossa incapacidade de realizar como desejaríamos. Essa duplicidade será para nós uma contingência necessária, à proporção que nossa visão espiritual se ampliar e iniciarmos novos ajustamentos à Lei. Não podemos impedir essa oscilação e devemos encará-la como um processo científico de progresso.

Desejamos, pois, estudar a forma pela qual a adaptação gradativa se faz na alma bem-intencionada, a fim de que possais acompanhar compreensivamente os movimentos, muitas vezes aparentemente desconexos, que são efetuados por vossas almas intensamente provadas pela vida, com o objetivo de rasgar os véus de um novo panorama espiritual, à proporção que vos elevais a planos mais altos.

Irmãos, nós vos amamos profundamente e nisso não vai uma generosidade de nossa parte para com vossos espíritos que tantas vezes se classificam de “culpados”! Cumprimos com felicidade uma determinação sadia da Lei que impulsiona nossa atenção para o Alto, onde vossos espíritos têm seus lugares reservados. Assim, nós já vos vemos radiosos de luz, quando ainda mourejais na falta de benevolência para com vossos próprios espíritos.

O pior de todos os “pecados” é descrermos de nós, pois revela desamor para com um ser da criação cujo destino nos está entregue, contrariando os desígnios do Eterno, que nos criou para a melhor de todas as realizações: a aprendizagem da “Arte de Amar”, que se indica com a aceitação de Sua benevolência para conosco mesmos, integrando-nos no direito de nos perdoarmos a nós mesmos como Ele nos perdoa.

Assim como a pedagogia moderna aconselha ao educador orientar seus discípulos ampliando gradativamente o âmbito de seus conhecimentos, em espiritualidade é preciso aplicar os princípios do Amor Universal nos limites de nossa própria consciência, tendo benevolência e tolerância para com os espíritos imperfeitos. Depois, então, já treinados na aplicação desses valores, seremos capazes de estendê-los aos semelhantes, numa amplitude cada vez maior.

 

Análise

Para analisarmos a maneira de pôr em prática a “Arte de Amar” como sinônimo de “alimento espiritual” na grande caminhada da iniciação, é preciso fixar, por alguns instantes, o pensamento na forma pela qual o Amor se expande dentro da Criação.

A Força Central da Vida irradia como um sol sobre o Universo, expandindo-se através das Centelhas de Vida que se desprendem com o objetivo de obter consciência própria, dentro do princípio da polarização com a energia que as gerou. Assim, a Centelha mergulhada na matéria como num casulo de hibernação,  começa a despertar a consciência de sua individualidade para abranger, em seguida, o panorama de harmonia que a envolve (Figura 1).

Ao penetrar nos sucessivos planos, é envolvida pela matéria em diferentes graus de condensação, finalizando por receber a camada de matéria do plano físico. A natureza compacta desse plano favorece os choques biológicos do encarne e desencarne, além de outras necessidades prementes, que forçam a Centelha de Vida a despertar para a sua condição e prover aos próprios anseios de paz.

Poderemos conceber a necessidade desse processo se admitirmos que, sendo a Fonte da Vida uma intensa irradiação de Amor, fulgura como um sol a desprender de si centelhas, em atendimento ao atributo máximo do Amor que é expandir-se, multiplicando-se. Para que as Centelhas possam participar ativa e conscientemente da grandiosidade da Criação submetem-se ao processo de despertamento constituído pelo envolvimento na matéria dos diversos planos do Universo.

À proporção que a Centelha é cercada pelas vibrações da energia nos diversos graus de condensação (matéria mais ou menos rarefeita), formam-se em torno dela os sete “corpos”, nos quais a vibração do Amor Universal continua a atuar. É assim que, na memória do plano físico, esse Amor se revela como instinto que prevê e provê às as necessidades elementares da vida; no plano astral, sob o aspecto de vibrações fraternas que alimentam a alma e no plano  mental sob a forma de intensa harmonia gerada pela identificação dos aspectos claros da Verdade. Assim, sucessivamente, a Centelha vai conquistando a capacidade de despertar cada um dos veículos para a vibração do Amor, que se manifesta, respectivamente, em cada plano com as seguintes características:

7 – maha-paranirvânico…. Amor-integração

6 – paranirvânico …………. Amor-participação

5 – nirvânico ……………….. Amor-expansão

4 – búdico …………………… Amor-renúncia

3 – mental

mental superior: amor-esclarecimento ….  Intuição

mental inferior: intelecto ……………………. Análise

2 – astral ………………… Amor-emoção

1 – físico …………………. Instinto

No plano nirvânico convencionou-se admitir que há uma penetração no nada. Podemos compreender essa assertiva analisando a última fase do domínio do plano mental.

A intuição funciona como uma porta que se abre para novas conquistas. As leis da lógica racional cessam de influir no plano mental superior. O intelecto revela-se insuficiente para as percepções dos planos superiores. O amadurecimento gerado pelo desenvolvimento dos aspectos superiores da mente cria condições diferentes, capazes de permitir avaliar as vivências e interesses dos planos inferiores como insuficientes ou superadas. Os novos valores assimilados permitem uma visão da existência na qual as conquistas dos planos superiores adquirem expressão capaz de compensar as perdas nos planos inferiores. É quando a renúncia se evidencia, para espanto dos circunstantes, incapazes de perceber as compensações alcançadas pelos espíritos que se entregam ao culto de valores inexistentes para o homem comum.

A fase de conquista do plano búdico é transição para estágios que representam o nada para o homem. Sua conquista revela-se pelo desapego total às formas individuais de Amor, numa situação de expansão tal da consciência que o ser é com o Universo que o cerca. Há uma penetração nas camadas Superiores da Espiritualidade circundante do Planeta, como uma tomada de contato com a potencialidade máxima da Força Central da Vida. Consiste no despojamento da personalidade humana para a integração futura, em vias de ser concretizada.

As penetrações nos planos superiores são realizadas de forma parcelada e gradativa, de modo que o espírito não deixe de participar de todas as experiências necessárias relacionadas com os diversos planos em que atua. As incursões nos planos mais elevados do espírito constituem direito e dever de todos os seres criados, obedecidas as normas indispensáveis à sua consecução.

Firmado no grau da expansão característico do plano nirvânico, o espírito poderá iniciar sua participação no Consenso Universal da Criação, como partícula atuante da Obra Divina.

Que poderíamos dizer, finalmente, do Amor integração? Lá, no maha-paranirvânico, para nós existe o Silêncio Absoluto expressão que representa a grande integração na Harmonia com o Todo.

A Arte de Amar é a captação, cada vez mais perfeita, das vibrações harmoniosas do Amor Universal. Destacada de sua origem, a Centelha vai progredindo no seu processo de individuação magnética, polarizada com a Força Central da Vida. Fundamentalmente ligada à Força que a gerou, vence cada etapa evolutiva, conquistando o domínio dos sete tipos de vibração que a envolvem, ou seja, os seus sete veículos de atuação, que se convencionou designar como seus sete “corpos”.

Para a melhor compreensão do mecanismo em estudo é necessário definir três gradações das vibrações do Amor Universal, localizando melhor suas respectivas manifestações:

  • Amor: vibração harmoniosa que representa a Força Central da Vida em todos os planos. Manifesta-se em todos eles sob a forma de energias sustentadoras e preservadoras da vida.
  • Sentimentos: forma característica pela qual cada indivíduo expressa sua capacidade de absorção da vibração do Amor nos três planos em que atua: físico, astral e mental.
  • Emoções: forma semi-instintiva de expressão da vibração do Amor. Revela a conjugação das vibrações do plano físico e do astral.

Os sentimentos têm maior estabilidade do que as emoções, porque representam a manifestação do astral intensamente influenciado pelo mental.

A emoção, por sua vez, é uma vibração intermediária entre o Instinto cego destinado a preservar a vida em suas manifestações primárias e a capacidade do vibrar por simpatia [1]. Na fase emocional o espírito está em trânsito entre o egocentrismo do instinto de conservação e a capacidade inicial de vibrar em função do meio, recebendo e emitindo emanações ou trocas vibratórias, em caminho para a descentralização de suas percepções instintivas.                                      

             As expressões do Amor no plano mental também precisam ser bem compreendidas. Quando afirmamos que as vibrações do plano mental precisam prevalecer sobre seu inferior, o astral, não estamos estabelecendo a supremacia do intelecto ou da razão sobre os sentimentos.

As palavras não definidas com clareza toldam a compreensão dos fatos.

A vibração característica do Amor expresso pelo plano mental é a inteligência. Como defini-la. É uma percepção harmoniosa do conjunto, é a compreensão das relações de causa e efeito no panorama geral da vida. Torna-se importante não confundir inteligência, fenômeno global, com intelectualismo ou intelectualidade, que constituem o apego a normas acadêmicas de interpretação dos fatos. Representam classificações convencionadas em âmbitos circunscritos, sendo possível, inclusive, diversas interpretações particulares sobre o mesmo fato, analisado pelo intelecto, sob pontos de vista diferentes.

Inteligência é capacidade de análise e síntese e revela-se em seu coroamento pela percepção intuitiva, estágio superior do plano mental. Enquanto a mente se encontra ligada aos planos físico e astral, acha-se mais propensa a analisar e classificar, como que por ensaios da percepção global representada pela inteligência em sua mais ampla acepção. A função perfeita do plano mental cumpre-se quando amplas generalizações são alcançadas, estabelecendo relações harmoniosas entre fenômenos que antes se apresentavam como isolados entre si.

O indivíduo não precisa ser culto para ser inteligente. Cultura são normas acadêmicas, de memorização mais ou menos fácil, mecanismos de raciocínio especializado. Inteligência é alargamento de visão adquirido por maturidade espiritual. Um representa valor adquirido de fora para dentro (cultura), o outro (inteligência) é mobilização de forças interiores que se expandem por maturação. A cultura é aquisição temporária do espírito encarnado. A inteligência, que pode ser cultivada como todos os dons, é aquisição de percepções que permanecem como o lastro espiritual, capaz de incentivar e valorizar a cultura em outras encarnações.

Portanto, a vibração harmoniosa do plano mental é o Amor-esclarecimento, grau superior da vibração do Amor, que deve prevalecer sobre o Amor expresso no plano astral, ou seja, o Amor-emoção.

O Amor-esclarecimento é pura vibração de harmonia inteligente. A supremacia do Amor-esclarecimento sobre o Amor-emoção é obtida quando a alma se certifica da necessidade de expandir suas vibrações de Amor para um nível mais elevado, libertando sua sensibilidade do jugo do instinto animal. O Amor-esclarecimento, por sua vez, será uma transição capaz de levar o espírito às vibrações do Amor-renúncia, característica do plano búdico.

Assim, gradativamente, a alma vai se habilitando a vibrar cada vez mais em uníssono com a harmonia da Criação, onde todo exclusivismo, onde todo egocentrismo é quebra da harmonia, é isolacionismo, é impedimento à circulação livre da vibração do Amor Crístico.

Em virtude do processo da polarização se desenvolver dentro do respeito ao livre arbítrio [2], pode ser retardado ou estimulado. Quando o espírito se nega ao entrosamento necessário com as leis harmoniosas da vida, a polarização perfeita sofre interferência e o escoamento da energia universal do Amor é prejudicado.                               

             A ausência das trocas normais dentro do princípio da bipolaridade [3] provoca distorções da sensibilidade que se encontram classificadas entre os homens com as seguintes denominações:

– narcisismo (vaidade, amor-próprio)

– sadismo (maldade)

– masoquismo (autoflagelação)

– fanatismo (estreiteza de sentimentos)

O egoísta não pode ser feliz porque não admite trocas, nas quais se baseia o equilíbrio durante o processo evolutivo. A falta de Amor é incapacidade de permitir e admitir a troca vibratória necessária ao progresso. O ser ilude-se imaginando poder bastar-se a si mesmo. Por um culto excessivo da personalidade, nega-se a admitir que seu bem-estar possa depender de algo que venha de fora, escapando ao controle. Porém, contrariando o princípio da bipolaridade, sua potencialidade mantém-se estagnada. Sua capacidade de troca energética do princípio universal do Amor permanece obstruída pelo negativismo e expande-se, inconscientemente, sob a forma de tendências incontroláveis, muitas vezes imperceptíveis à observação superficial.

Já que o espírito traz consigo, por sua origem e constituição, uma energia potencial impossível de ser retida (a Centelha de Vida em ação), se as trocas garantidoras do processo evolutivo não forem efetuadas normalmente, um processo de bifurcação ou infiltração dessa energia básica da evolução (o Amor) será iniciado, desviando-se a expansão dessa força de doação, cuja finalidade seria garantir o equilíbrio através do princípio da bipolaridade.

O Amor Universal existe em cada Centelha que, ligada à sua Origem, mantém características de semelhança a serem ampliadas através do processo evolutivo. Ela (a Centelha) é como um elemento que se destacou do Todo, mas continua em sintonia, escoando o mesmo tipo de energia. O processo evolutivo ampliará a capacidade de escoamento da Força a que se encontra ligada.

Entretanto, a necessidade de obter o controle de cada um dos sete tipos de vibração que a envolvem exige um dispêndio de energias que produz resíduos. A alma empenhada em galgar mais um degrau da “escada de Jacó” esforça-se e podemos entender o que sucede, por analogia, em virtude de sabermos que “o que está em cima é semelhante ao que está embaixo”. [4]

Comparando todos esses corpos, veremos que têm uma formação básica comum. Todos são compostos de elementos constituídos pela matéria em diferentes graus de condensação. Em todos eles as partículas recebem, através dos seus núcleos, a força de coesão, ou seja, as vibrações positivas do Amor, que mantêm o equilíbrio do conjunto formador de cada veículo. Quando a consciência vibra em harmonia com a Lei, esses núcleos são fortalecidos e o conjunto renovado e sadio. Porém, à medida que a consciência da Centelha de Vida desperta em um desses planos, encontra-o sobrecarregado pela repercussão das vibrações negativas emitidas nos desvios das determinações da Lei. Assim, como sucede ao atleta que despende intenso esforço conseguindo obter um grau superior de realização logo que o cansaço seja eliminado, a Centelha de Vida não estacionará em seus esforços, pois eles significam a conquista da sintonia com a força do Amor que alimenta essas partículas, tal como no corpo físico, a corrente sanguínea alimenta e auxilia a eliminação de resíduos.

                 Quando compreendemos que a vibração crística do Amor existe sempre a nossa volta, num trabalho de despertamento de nosso ser para as alegrias espirituais mais puras, sentimo-nos autorizados, e mesmo constrangidos, a agir à semelhança dessa Lei que reconhecemos sábia e perfeita. E começamos a entender A força imperturbável do perdão que existe perene e incondicionalmente a nossa volta. Se a sabedoria da Lei determina, passamos a ver a nossa situação espiritual com os olhos da benevolência do Eterno e nossas oscilações entre o erro e o acerto como fases naturais da evolução.

Em conseqüência, atenderemos com generosidade às experiências necessárias da eliminação de resíduos em nossos diversos corpos. Compreenderemos que, se nosso astral, desabituado à disciplina exigida pela Lei, esforça-se intensamente em vibrar em sintonia com o Amor, certamente sua constituição ficará sobrecarregada dos resíduos provenientes desse estado de tensão emocional e não poderemos impedir que se escoem sob a forma de insatisfação, irritabilidade, impaciência ou negativismo que, no entanto, serão tanto mais passageiros quanto maior for a força do Amor com o qual procurarmos renovar a harmonia de nosso corpo astral atingido por esse “cansaço”.

Embora todas as formas de eliminação de resíduos sejam desagradáveis nos diversos corpos ou veículos, elas se irão aprimorando à proporção que os “organismos” se tornarem capazes de utilizar a “alimentação” purificadora do Amor Crístico. A solução do problema não está em impedirmos a eliminação dos “detritos”, mas em evitar a sua formação, no cultivo do Amor, isto é, do ajustamento à vibração crística em cada um de nossos veículos.

“O Amor cobre a multidão de nossos pecados”, não por negar a sua existência, mas permitindo que sejam dispersos, deslocando-os e fazendo-os voltar ao grande laboratório da vida, como energias desconexas, que sofrerão o processo da reabsorção no grande Todo, que as aproveitará, reajustando-as. A constituição dos nossos “corpos”, atingida pela desagregação do negativismo, será renovada pela Luz que nos chega e, como as células orgânicas mortas são absorvidas pelo meio, também suas energias serão transformadas dentro do princípio básico de que “nada se perde e tudo se transforma”.

Essa é a mensagem de esperança do Amor, sentida mais intensamente à proporção que nos afinamos com sua vibração de harmonia.

 

Conclusão

Para concluir nosso estudo sobre “A Arte de Amar”, recordaremos um fato narrado na Bíblia. Conta-se que Jonas recebeu do Senhor a incumbência de avisar os habitantes de Nínive de que seriam dizimados por uma catástrofe se não modificassem sua conduta desregrada. Entretanto, como homem severo e cumpridor da Lei, concluiu que seria justo os pecadores pagarem pelas suas culpas. Embarcou, pois, com destino diferente que lhe apontara a inspiração superior, mas sofreu um naufrágio. Lançado à praia, compreendeu ser mais prudente cumprir a missão que lhe fora confiada e, com surpresa, os habitantes da cidade pecadora se transformaram, sendo evitada a catástrofe.

Esse fato vem confirmar as afirmações de que a expressão máxima da Lei é o Amor “que cobre a multidão dos pecados”.

Embora enganados em nossas concepções, temos a nossa disposição todos os elementos necessários à renovação e assim não poderia deixar de ser, porque o objetivo da existência é a aprendizagem da Arte de Amar. Não existe o imperativo de “fazer justiça” como erradamente se pensa. O homem, geralmente, incorre nas conseqüências de seus atos impensados, mas recebe sem cessar o amparo para que se ajuste às vibrações do Amor Crístico a envolver toda a Criação.

Jonas representa a nossa compreensão acanhada da Justiça Divina, quando não identificamos os imensos recursos existentes para a renovação das almas, em seu ajustamento constante às vibrações do Amor, nos diferentes degraus da escada de Jacó.

Se não houvesse perdão não haveria Justiça, pois ela consiste em amparar, visando a evolução, os seres que ainda não desenvolveram em si a capacidade de sintonia com o Bem.

A dor não representa uma necessidade de impor “sanções” aos espíritos desviados, mas é resultante do reajustamento indispensável de suas vibrações à harmonia da Criação. Desde que eles consigam esse ajustamento, já não necessitarão compulsoriamente do sofrimento como castigo à insensatez.

É importante assimilarmos essa concepção divina da Justiça, pois ela tem repercussão profunda em nossas existências. Não só passaremos a aceitar conscientemente a benevolência do Eterno, resguardando nosso ambiente espiritual de temores insensatos, como, ao sermos atingidos por essa compreensão nova, toda a nossa conduta será transformada. Passaremos a conceber a benevolência como a Lei, a funcionar sob a forma de estímulo ao progresso e a satisfação encontrará abrigo em nós.

Assim estaremos predispostos a perdoar o erro, seja nosso ou seja alheio, em obediência aos ensinamentos do Amor Crístico. Uma forma sadia de perdão surgirá em nós, pois o exerceremos sem nos esquecermos de que é uma força impulsionadora do progresso. Assim, jamais perderemos de vista a necessidade de renovação, sentindo-nos abençoados por uma disposição divina, que ordena a evolução como única Lei irrevogável.

Compreenderemos que “A Arte de Amar” é assimilada à proporção que sentirmos em nós a repercussão da benevolência que rege a vida, renovando e perdoando, pois o erro é produto da ignorância e não precisa ser punido, mas simplesmente reajustado.

Rama-Schain

 

[1] palavra simpatia, aqui, é usada no sentido literal de “sentir em consonância”.

[2] Poderíamos definir “livre-arbítrio” como “liberdade condicional”, pois existe a delimitá-lo a lei do determinismo,  normas gerais que velam pela preservação do Sistema.

[3] As trocas vibratórias dentro desse princípio, em última análise, efetuam-se entre a Centelha de Vida Eterna e a Força Central da Vida. Entretanto, as próprias criaturas veiculam entre si o princípio da bipolaridade, como instrumentos que são da Força que as gerou. Unem-se na Terra os pólos que se completam, pelos elos do Amor em suas diferentes manifestações.

[4] Ver El Kybalión, de Os Três Iniciados.

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