MENSAGEM À FRATERNIDADE DO TRIÂNGULO, DA ROSA E DA CRUZ

 em evolução espiritual, Psicologia Abissal

RAMATIS  / América Paoliello Marques

RJ, 4/9/1970

NOTA : Mensagem espiritual referente à publicação da obra Evangelho, Psicologia e Ioga.

 

Este trabalho surge como um desafio a vossa capacidade de servir a uma causa controvertida e colocar-vos na encruzilhada entre os interesses humanos imediatos e as necessidades espiri­tuais desconhecidas pela maioria dos homens. Esse desafio atinge em primeiro lugar a vós mesmos, pois precisareis submeter-vos, como cobaias, à diversidade de sugestões opostas que surgem quando se põe em xeque a velha interrogação humana: “De onde venho e para onde vou?” Constitui, também, desafio aos pesqui­sadores honestos da realidade psíquica, dispostos a enfrentar um alargamento infinito do campo de ação na pesquisa e que já não creiam mais na lenda de Ícaro, representada pela triste decepção que o homem cultiva há alguns séculos sobre sua natureza espiritual. A verdade parece intimidar o homem e ele não deseja ver suas asas de cera derretidas pelo foco central da luz da imortalidade. Decepcionados por séculos de fracasso na aplicação prática dos princípios do Amor, descrê de sua condição espiritual. Como seus antepassados construíram sua forma de religiosidade sobre as asas de cera dos conceitos involutivos, não admite a possibilidade de ultrapassar os condicionamentos negativos do passado no setor religioso. Na fase mítica da Humanidade o desejo de superação externava-se em lendas como a de ícaro. Porém, tal como uma séria modificação se fez para concretizar o sonho do voo material como mais pesado que o ar, transformações do mesmo teor se processam no setor espiritual ou psíquico da Humanidade.

Poderíamos comparar a pesquisa psíquica realizada até hoje com a vitória parcial, obtida pela navegação aérea antes das mais recentes conquistas da cosmonáutica.

Assim como era visionária a obra de Júlio Verne, o grande profeta da ciência moderna, são também vistos hoje como crédulos os que afirmam que o âmbito da psicanálise é o espírito eterno e que a psicologia deve ser um terreno genérico, usado com o sentido de “estudo da alma” e abarcando todas as expressões do psiquismo humano. Mais ainda, seria conveniente que essa psicologia ou “estudo da Alma” comportasse a psicanálise espiritual seguida sempre da procura de uma psicossíntese, ou seja, uma visão globalizada do ser no tempo e no espaço.

Freqüentemente, não têm sido os técnicos os responsáveis pela ampliação dos rumos do conhecimento humano. A classificação acadêmica e o hábito de conformar-se às normas vigentes costumam exercer constrangimento sobre os estudiosos. Por vezes, um amador ou quase leigo consegue ver com os olhos do espírito a direção aconselhável às atividades que devem beneficiar o gênero humano.

O trabalho espiritual de intercâmbio com as Esferas Superiores costuma alargar a sensibilidade do homem que deseja se colocar como instrumento do Amor sobre a Terra. Não há necessidade de que seja um espírito eleito. O próprio Cristo escolheu seus discípulos entre seres imperfeitos, capazes de negá-lo e de descuidar Sua missão grandiosa. Isso faz crer no Seu propósito de demonstrar que o Amor pode sustentar-nos na batalha pelo bem, embora seja ainda muito pequena nossa condição evolutiva.

Cremos sinceramente que o Amor ao bem é a bússola e exerce a mesma atração magnética de uma polaridade segura com a Força Criadora da Vida, ou seja, o nosso “norte” espiritual.

“Pesquisar” é a nossa forma de caminhar. Os que seguiram o Mestre na Terra, levados pelo doce magnetismo do Seu Amor aos homens, não sabiam bem para onde Ele os conduzia, mas se­guiam-No.

O homem de ciência, hoje, não segue outro processo em suas pesquisas. Qual o investigador honesto que sabe de antemão onde sua busca o levará? Espírito desarmado de preconceitos, expõe-se aos riscos da conquista que pressente. Pesquisar a alma humana em dimensões do que poderíamos classificar de “psicologia abissal” é conhecer os atalhos através dos quais o homem desembocou na angústia dos tempos modernos e não temer descer às regiões escuras do passado reencarnatório para, em seguida, impulsioná-lo à grandiosa síntese do ser imortal – abismos inferiores e abismos superiores, nos quais o HOMEM de hoje precisará aprender a arrojar-se, tal como a ciência material desce ao fundo dos oceanos, repositório das reservas acumuladas pela Terra e lança-se igualmente à aventura que o conduzirá ao futuro intercâmbio interplanetário.

Se a vossa atual psicologia, fragmentada e dividida, possuindo compartimentos estanques dos quais a psicanálise é um derivado tão controvertido, se negasse aos vôos mais altos das investigações espirituais do futuro “homem angelizado”, assim como a conhecer os abismos opostos dos arquivos subconscienciais preexistentes a uma única encarnação, permaneceria em posição subdesenvolvida em relação a outros ramos da ciência.

É preciso superar o “complexo de ícaro” e tentar, agora com aparelhagem mais adequada, novos vôos em direção ao domínio do vosso mundo psíquico, tal como as outras ciências já dominam o mundo material. A bela lenda grega é o símbolo da impotência humana diante do Universo. Certo que é menos complexa a vitória sobre o mundo objetivo e material. Porém, qual o desafio que já conseguiu paralisar a capacidade de realização do homem?

Não haverá uma caminhada isenta de tropeços, mas não falamos em termos de utopia. Precisamos incentivar a realização humana, contando com suas deficiências naturais.

Sede valorosos e buscai novos recursos à vossa pesquisa psíquica. Nessa obra há pequenas sugestões que constituem uma tomada de posição. Que possais aceitá-las e utilizá-las dentro do verdadeiro espírito investigador – o que não se crê dono da verdade nem capaz de abarcá-la por inteiro e que por isso se submete às pressões internas e externas que o processo de crescimento exige do homem como ser isolado ou coletivo.

Paz e Amor

 

 

NOTA : Sobre ÍCARO é útil ler o texto a seguir publicado na obra Transmutação de Sentimentos, de América Paoliello Marques

 

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O MITO DE ÍCARO E O DESAFIO DE ELEVAÇÃO ESPIRITUAL

 

Na mitologia grega, Ícaro era filho de Dédalo, um dos homens mais criativos e habilidosos de Atenas,  conhecido  por  suas invenções e pela perfeição de seus trabalhos manuais, simbolizando a engenhosidade humana. Certa vez, o rei de Creta prendeu-o no Labirinto. Para fugir  Dédalo   projetou   asas, juntando penas de aves de vários tamanhos, amarrando-as com fios e fixando-as com cera, para que não se descolassem. Foi moldando com as mãos, de forma que estas asas se tornassem perfeitas como as das aves.

 Estando o trabalho pronto, agitando suas asas, equipou Ícaro e o ensinou a voar. Então, antes do vôo final, advertiu seu filho de que deveriam voar a uma altura média, nem tão próximo do sol, para que o calor não derretesse a cera que colava as penas, nem tão baixo, que o mar pudesse molhá-las. Eles se sentiram como deuses por dominarem o elemento ar.

 Ícaro deslumbrou-se com a bela imagem do sol e, sentindo-se atraído, voou em sua direção, esquecendo-se das orientações de seu pai. A cera de suas asas começou rapidamente a derreter e logo Ícaro caiu no mar.

 Na Mensagem Psicologia e Evangelho (1971) Ramatis  diz  “o amor evangélico que levareis convosco será a defesa que não permitirá reviverdes a experiência de Ícaro, porque, já então, vossas asas não serão mais de cera e podereis suportar todas as altas temperaturas da experiência de crescimento dentro do Evangelho Cósmico do Amor.”

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